Inteligência artificial e comunicação pública: entre o caos e a oportunidade também foram debatidos no segundo dia do 7º Fórum Nacional das Secretarias Estaduais de Comunicação

No segundo dia do 7º Fórum Nacional das Secretarias Estaduais de Comunicação, que acontece em Fortaleza, a tecnologia foi protagonista. A palestra comandada por Virgínia Lencastre, diretora da Agência Nova, e Bruna Goularte, jornalista e gerente de planejamento da mesma agência, trouxe uma reflexão provocativa sobre o uso da inteligência artificial (IA) na comunicação pública.

Com o título “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, a apresentação foi inspirada nas tendências vistas no SXSW – um dos maiores festivais de inovação e tecnologia do mundo – e traduziu o que há de mais disruptivo no cenário da comunicação contemporânea.

Bruna abriu sua fala com um convite à reflexão: “Comunicar, hoje, é criar sentido coletivo em meio à incerteza. A IA já faz parte da vida das pessoas — inclusive da Dona Maria”. Ela destacou que o uso de tecnologias generativas, como o ChatGPT e ferramentas de imagem por IA, não é mais um luxo das grandes marcas, mas uma realidade acessível que está transformando rotinas e expectativas.

Segundo dados apresentados, 71% dos brasileiros já têm uma boa compreensão sobre o que é inteligência artificial — um índice superior à média global. Esse cenário impõe desafios únicos para a comunicação pública, que precisa equilibrar inovação com ética, verdade e transparência.

Virgínia Lencastre enfatizou a necessidade de uma atuação responsável: “A comunicação pública tem que estar atenta aos riscos da IA, como o reforço de estigmas, a propagação de desinformação e a criação de simulacros digitais. Mas também precisa aproveitar o potencial da tecnologia para se conectar com o cidadão de forma mais rápida, criativa e empática.”

A dupla apresentou casos, tendências e provocações sobre como algoritmos, plataformas e sistemas preditivos estão moldando a forma como interagimos com o mundo — e como isso impacta diretamente as estratégias de governos para informar e dialogar com a população.

“Elas mostraram que não se trata apenas de falar com o público, mas de escutá-lo, antecipar suas necessidades e se fazer presente em um ecossistema digital que está em constante transformação”, comentou uma das participantes da plateia.

A palestra reforçou a urgência de atualização dos profissionais do setor público frente à inteligência artificial, sem abrir mão dos princípios fundamentais da comunicação pública: clareza, acessibilidade e compromisso com a verdade.

 

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