“Existe saída”: campanha nacional quer romper o silêncio e ajudar mulheres a escapar do ciclo da violência

 

Iniciativa do CNSecom aposta na força da comunicação para denunciar o labirinto da violência doméstica e reforçar que pedir ajuda pode ser o primeiro passo para salvar vidas

A violência contra a mulher raramente começa com um grito ou uma agressão física. Na maioria das vezes, ela começa antes, no silêncio, no medo e nas dúvidas que se acumulam dentro de quem vive uma relação abusiva.

É nesse território invisível, onde o medo cresce e a sensação de aprisionamento se instala, que o Conselho Nacional das Secretarias Estaduais de Comunicação (CNSecom) lança a campanha “Existe saída”.

A iniciativa pretende transformar a comunicação pública em mais uma ferramenta concreta de combate à violência, mostrando que romper o ciclo é possível e que existem caminhos reais de proteção e acolhimento.

O conceito central da campanha parte de uma imagem poderosa: o labirinto. Ele representa o percurso emocional e psicológico que muitas mulheres enfrentam ao viver sob violência.

Nesse labirinto aparecem dúvidas que se repetem como um eco angustiante: “Essas paredes estão se fechando…”, “Será que existe saída?”, “Será que eu consigo sair dessa situação?”. São pensamentos que traduzem o estado de quem vive sob ameaça constante e não encontra, à primeira vista, um caminho para fora.

Na narrativa construída pela campanha, a mulher percorre esse labirinto cercada por frases que fazem parte da realidade de muitas vítimas. “E se ele perder a cabeça?”, “Ele jurou que não vai acontecer de novo”, “Eu não tenho para onde ir.”

Esses pensamentos refletem a dinâmica comum de relações abusivas, que muitas vezes começam com sinais aparentemente pequenos, ciúmes excessivos, controle sobre a vida da parceira, agressões verbais, e podem evoluir para violência física e, em casos extremos, feminicídio.

A proposta do CNSecom é justamente interromper esse ciclo de silêncio e medo com uma mensagem direta e insistente: existe saída. E essa saída começa quando a mulher encontra informação, apoio e coragem para buscar ajuda.

Por isso, a campanha destaca o telefone 180, canal nacional de denúncia e orientação às mulheres em situação de violência. O serviço funciona gratuitamente em todo o país, 24 horas por dia, e conecta vítimas a redes de proteção e acolhimento.

Além disso, o CNSecom irá reunir conteúdos de orientação e informação que ajudam a esclarecer direitos, indicar serviços de apoio e orientar mulheres sobre os primeiros passos para romper uma relação abusiva.

A iniciativa também aposta na força das redes sociais e do audiovisual para ampliar o alcance da mensagem. Peças digitais reproduzem o percurso simbólico do labirinto até a saída, trazendo frases que refletem dilemas reais enfrentados por mulheres em relações violentas.

A estratégia é tornar visível uma realidade que muitas vezes permanece escondida dentro das casas e das relações familiares.

Outro eixo da campanha será o fortalecimento da rede de apoio. Em uma segunda fase, vídeos curtos trarão depoimentos de delegadas, advogadas, psicólogas, especialistas em proteção às mulheres e também sobreviventes da violência.

O objetivo é apresentar, de forma clara e acessível, caminhos concretos para quem precisa interromper ciclos de agressão e reconstruir a própria vida.
A mobilização também pretende envolver secretarias estaduais e redes locais de proteção à mulher, ampliando o alcance da campanha em todo o país.

A ideia é que a comunicação institucional se transforme em uma aliada permanente no enfrentamento à violência de gênero.

Para o presidente do CNSecom, Frederico Souza, a iniciativa busca romper o silêncio e manter o tema permanentemente na agenda pública. “A ideia é que seja uma campanha que possa ser repostada e atualizada continuamente. Ela não é uma ação pontual. A proposta é que seja uma campanha permanente, que possa se renovar ao longo do tempo, com novos conteúdos e novas abordagens, durante os 12 meses do ano”, afirma.

A metáfora do labirinto também traz um símbolo de esperança. Assim como no mito do fio de Ariadne, que guiava o caminho para fora de um labirinto aparentemente sem saída, a campanha pretende funcionar como esse fio condutor, um ponto de orientação para mulheres que se sentem perdidas em relações violentas.

Mais do que uma campanha institucional, a iniciativa aposta na informação como instrumento de proteção. Ao dar visibilidade à violência, oferecer caminhos e insistir que a saída existe, o CNSecom busca transformar a comunicação pública em mais uma linha de defesa para mulheres que precisam de apoio.

Porque o labirinto da violência pode parecer infinito. Mas ele não é.
Se você está vivendo uma situação de violência ou conhece alguém que precisa de ajuda, procure apoio agora.

Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher. O atendimento é gratuito, funciona 24 horas por dia e pode ser o primeiro passo para sair do labirinto.

Assista ao vídeo da campanha

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